sexta-feira, 6 de julho de 2012

Para quem estiver interessado...


As verdadeiras razões da guerra na Líbia
Arranje um tempinho e leia. Ficarás mais AFRICANO!...



1. O primeiro satélite africano RASCOM 1

É a Líbia de Gadafi a que oferece a toda África a primeira revolução
verdadeira dos tempos modernos: assegurar a cobertura universal do
continente por meio da telefonía, a televisão, a radiodifusão e outras
múltiplas aplicações, tais ****como**** a telemedicina e a informação à
distância. Pela primeira vez, uma conexão de baixo custo se encontra
disponível em todo o continente, inclusive nas zonas rurais, graças ao
sistema de rádio WIMAX.

A história começa em 1992, quando 45 países africanos formaram a
sociedade RASCOM, cujo propósito era criar um satélite africano para
reduzir os custos de comunicação no continente. As chamadas
telefônicas desde e até o continente africano eram as mais caras do
mundo devido a um imposto anual de 500 milhões de dólares que Europa
adicionava sobre as conversas telefônicas, inclusive dentro de um
mesmo país africano, para que o trânsito de voz pudesse realizar-se
através de satélites europeus tais ****como**** Intelsat. A fabricação de um
satélite africano supunha um custo de exatamente 400 milhões de
dólares, a pagar numa entrega única, o que significava não ter que
pagar mais os 500 milhões de dólares anuais de aluguel. Que banqueiro
não financiaria um projeto semelhante? Porém, a equação mais difícil
de resolver era: ****como**** podia o escravo se libertar da exploração
servil
a que estava submetido tendo que pedir ajuda a seu amo para isto? É
assim que o Banco Mundial, o FMI, os Estados Unidos e a União Europeia
mantiveram esperando inutilmente a estes países durante 14 anos.

Foi em 2006 quando Gadafi pôs fim a inútil súplica aos supostos
bem-feitores ocidentais e a suas práticas de empréstimos com
excessivas taxas de juros. Líbia colocou sobre a mesa 300 milhões de
dólares, o Banco Africano de Desenvolvimento uns 50 milhões e o Banco
de Desenvolvimento da África Ocidental outros 27 milhões, e desta
forma, a partir de 26 de dezembro de 2007, África teve seu primeiro
satélite de comunicações de sua história. No processo, ****China**** e
Rússia
aparecem nesta cena cedendo sua tecnologia e permitindo o lançamento
de novos satélites, ****como**** o sulafricano, o nigeriano, o angolano e o
argelino, e inclusive se prevê o lançamento de um segundo satélite
africano em julho de 2010. **Para** o 2020 se espera construir o primeiro
satélite de tecnologia 100% africana cuja fabricação será feita em
solo argelino. É de esperar que o satélite concorra com os melhores do
mundo, mas a um custe 10 vezes menor, o que representa um verdadeiro
desafio.

É assim ****como**** um simples gesto simbólico de apenas 300 milhões pode
mudar a vida de todo um continente. A Líbia de Gadafi fez o Ocidente
perder não somente 500 milhões de dólares ao ano, senão milhares de
milhões de dólares derivados da dívida e juros que a mesma geraría
infinitamente e de maneira exponencial, tudo o qual contribuiría à
maquinaria oculta que tenta se aproveitar da África.

2. O Fundo Monetário Africano, o Banco **Central Africano** e o Banco
Africano de Investimento

Os 30 bilhões de dólares de fundos libios que Obama congelou
pertenecem ao Banco Central da Líbia e estão destinados a contribuir
com a finalização da federação africana através de três projetos
chaves:


- O Banco Africano de Investimento em Sirte, Líbia,

- A criação em 2011 do Fundo Monetário Africano, com um capital de 42
bilhões de dólares com sede em Yaoundé,

- O Banco Central Africano, com sede em ****Abuja**** , Nigéria, que com a
primeira emissão da moeda africana marcará o fim do franco CFA (franco
das colonias francesas na África) com o qual París domina alguns
países da África há 50 anos.

É portanto compreensível, mais uma vez, a irritação que sente París
com Gadafi. O Fundo Monetário Africano deve substituir todas as
atividades que o Fundo Monetário Internacional leva a cabo sobre o
terreno africano, que com só 25 bilhões de dólares de capital colocou
de joelhos a todo um continente, com privatizações questionáveis, ****como**
**
a de obrigar aos países africanos a passar de um monopólio público
para um privado. Os mesmos países ocidentais pediram formar parte do
Fundo Monetário Africano, pedido que foi recusado por unanimidade numa
reunião celebrada em Yaoundé, de 16 ao 17 de dezembro de 2010, onde se
estabeleceu que só os países africanos poderiam ser membros do Fundo.

É evidente que depois da Líbia, a coalizão ocidental declarará sua
seguinte guerra a Argélia, que além de contar com enormes recursos
energéticos, este país conta com uma reserva de divisas de 150 bilhões
de euros. Isto provoca a inveja de todos los países que bombardearam a
Líbia, os quais têm algo em comum: todos eles estão á ****beira**** da

quebra
econômica. Só os Estados Unidos contam com uma dívida de 14 bilhões de
dólares, França, Gran Bretanha e Itália possuem cada um ao redor de 2
bilhões de dívida pública, enquanto que os 46 países da África negra
possuem um total menos de 400 milhões de dívida pública. Criar guerras
falsas na África com a esperança de encontrar o oxigênio para
continuar com sua apnéia econômica que não faz mais que piorar, não
fará mais que afundar os ocidentais num declive que começou em 1884,
na famosa Conferência de Berlim. Porque como disse o economista
norteamericano Adams Smith em 1865, em apoio a Abraham Lincoln em sua
luta para abolir a escravidão, "a economia de todo país que pratica a
escravidão dos negros está na mira de iniciar seu descenso ao inferno
e será duro o dia em que outras nações despertem".

3. Uniões regionais como freio à criação dos Estados Unidos da África

Com o objetivo de desestabilizar e destruir a União Africana que se
encaminhava perigosamente (segundo o Ocidente) a formar, com a
destreza de Gadafi, os Estados Unidos da África, o primeiro que fez a
União Europeia foi tentar, sem êxito, a criação do mapa da União para
o Mediterrâneo (UPM). Era necessário a qualquer preço separar a África
do norte do resto do continente pregando as mesmas teorias racistas
reinantes nos séculos XVIII e XIX, segundo as quais os povos africanos
de origem árabe são mais avançados, mais civilizados que o resto do
continente. Esta tática não prosperou porque Gadafi entendeu
rapidamente do que se tratava o jogo desde o momento em que foi
mencionada a União para o Mediterrâneo, sem sequer informar à União
Africana, conseguiu reunir a uns poucos países africanos, ainda que
tenham sido convidados os 27 países que formam a União Europeia. Sem o
principal motor da federação africana, a UPM, que contava con Sarkozy
na cabeça e Mubarack como vicepresidente foi um fracasso antes de
começar, um projeto morto antes de nascer. Isto foi o que Alain Juppé
tentou reviver, apostando, é claro, que Gadafi caisse. O que os
líderes africanos não entendem é que enquanto o financiamento da União
Africana esteja em mãos da União Europeia, voltará ao ponto de
partida, porque nessas condições nunca haverá uma verdadeira
independência. Da mesma forma, a União Europeia promoveu e financiou
as agrupações regionais na África. Era óbvio que a CEDEAO, que têm uma
Embaixada em Bruxelas e que obtêm a maior parte de seus fundos da
União Europeia, represente um grande obstáculo para a federação
africana. Isto é pelo que Lincoln tinha lutado na guerra de secessão
nos Estados Unidos, porque desde o momento em que um grupo de países
se reúnem em torno a uma organização política regional, só pode servir
para debilitar ao corpo central. Isto é o que Europa queria e isso é o
que os africanos não entenderam quando criaram um após outro a COMESA,
a UAEAC, a SADC e o Gran Magreb, que não prosperou graças a Gadafi,
que, desde o principio, tinha entendido tudo muito bem.

4. Gadafi, o africano que permitiu limpar a humilhação do Apartheid

Gadafi está no coração da maioria dos africanos, a quem se conhece
como um homem muito generoso e humanista, e por seu apoio
desinteressado à batalha contra o regime racista da África do Sul. Se
Gadafi tivesse sido um homem egoísta, não teria ganhado a ira dos
ocidentais por brindar apoio financeiro e militar à ANC em sua luta
contra o Apartheid.

Por esta razão, em 23 de outubro de 1997, Mandela, apenas ser liberado
após 27 anos da prisão decidiu romper o embargo que as Nações Unidas
tinham imposto à Líbia. A causa deste embargo, que foi inclusive aéreo
e durou 5 longos anos, nenhum avião poderia aterrizar na Líbia. Para
poder acessar o país, era necessário pegar um voo a Túnez, aterrizar
em Djerba e continuar o percurso de 5 horas por terra por Ben Gardane,
atravessar a fronteira e continuar durante 3 horas mais pelo deserto
até chegar a Trípoli. Outra opção era entrar por Malta e fazer a
travessia durante à noite, em embarcações precárias e em mal estado
até chegar à costa Líbia.

Todo um povo foi submetido a este calvário para castigar a um só
homem. Mandela decidiu pôr fim a esta injustiça e respondeu ao ex
Presidente norteamericano Bill Clinton, que tinha julgado esta decisão
de inoportuna, dizendo: "Nenhum Estado pode assumir o papel de policia
mundial, e nenhum Estado pode ditar aos demais o que fazer". E
acrescentou: "os que ontem eram amigos de nossos inimigos têm agora o
valor de me propôr que não visite a meu irmão Gadafi, nos aconselham
que sejamos ingratos e que esqueçamos a nossos amigos de ontem". De
fato, para o Ocidente, os racistas da África do Sul eram seus irmãos e
necessitavam ser protegidos. A causa disto, todos os membros da ANC
foram considerados terroristas perigosos, entre eles Nelson Mandela.
Não foi até o 2 de julho de 2008 que o Congresso estadunidense aprovou
uma lei para eliminar da lista negra o nome de Nelson Mandela e de
seus companheiros da ANC, não porque tivesse percebido o ridículo da
situação, senão porque queriam ter um gesto pelo 90 aniversario de
Mandela. Se os ocidentais se arrependessem agora por apoiar no passado
aos inimigos de Mandela, e se fossem realmente sinceros quando puseram
seu nome nas ruas e praças, como é possível que continuem fazendo a
guerra a Gadafi, que foi quem fez possível a vitória a Mandela e sua
gente?

B. São os democratas que querem instaurar a democracia?

E se a Líbia de Gadafi fosse mais democrática que os Estados Unidos,
França, Gran Bretanha e todos aqueles que pretendem instaurar a
democracia na Líbia à força? Em 19 de março de 2003, o Presidente
George Bush lançou bombas sobre os iraquianos com o pretexto de
constituir um regime democrático. Em 19 de março de 2011, ou seja, 8
anos mais tarde e dia após dia, é o turno do Presidente francês, que
lança bombas sobre os líbios sob o mesmo pretexto. O Presidente Obama,
ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2009 e Presidente dos Estados
Unidos da América, justificou que seus submarinos disparassem mísseis
de cruzeiro contra os líbios, alegando que era para derrotar a Gadafi,
o ditador no poder, e para instaurar a democracia.

Todo ser humano com uma mínima capacidade intelectual para elaborar
julgamentos e apreciações de valor não pode deixar de se fazer esta
pergunta: os países como França, Inglaterra, os Estados Unidos,
Itália, Noruega, Dinamarca e Polônia, cuja legitimidade para
bombardear os líbios se baseia somente no fato de autoproclamar-se
"países democráticos", são realmente democráticos? Em caso afirmativo,
são mais democráticos que a Líbia de Gadafi? A resposta é
indiscutivelmente NÃO, pela simples razão de que a democracia não
existe. Não sou eu quem o afirma, senão o mesmo homem cuja cidade
natal, Genebra, aloja à maioria dos comandos das Nações Unidas. Se
trata de Jean-Jacques Rousseau, nascido em Genebra em 1712, quem
estabelece no capítulo IV do livro III de seu famoso "Contrato social"
que: "nunca houve uma verdadeira democracia e nunca haverá". Para que
um Estado seja verdadeiramente democrático, Rousseau planteava quatro
condições segundo as quais a Líbia de Gadafi é ainda muito mais
democrática que os Estados Unidos da América, França e todos os demais
que pretendem implantar a democracia, a saber:

1. Dimensão do Estado: quanto maior seja a extensão territorial de um
Estado, menos democrático será. Para Rousseau o Estado deve ser muito
pequeno para que o povo possa reunir-se com facilidade, e para que o
conhecimento entre cidadãos aconteça de forma natural. Antes de
convocá-los a votar é necessário se assegurar de que se conheçam entre
eles, já que votar pelo mero fato de fazê-lo se converteria num ato
despojado de todo fundamento democrático, num simulacro de democracia
para eleger a um ditador. A estrutura de organização do Estado líbio
se fundamenta num conceito tribal, ou seja, reagrupa o povo em
pequenas entidades. O sentimento democrático é mais forte numa tribo e
num povo mais que numa nação grande. O fato de que todos se conheçam e
que a vida gire ao redor dos mesmos interesses comuns proporciona uma
certa autorregulação e autocensura, inclusive apesar da reação ou
contra-reação dos demais membros a favor ou em contra das opiniões
expressadas. Desde este ponto de vista, é Líbia quem melhor responde
às exigências de Rousseau, e não os Estados Unidos da América, França
ou Gran Bretanha, sociedades fortemente urbanizadas onde a maioria dos
vizinhos não se cumprimentam e nem sequer se conhecem apesar de viver
um ao lado do outro após 20 anos.

Nestes países, foi passada diretamente à etapa seguinte: "o voto", que
se foi santificado de forma maliciosa, para fazer esquecer que o mesmo
é inútil a partir do momento em que se fala do futuro de uma nação sem
conhecer a seus habitantes. Inclusive foi proposta a ridícula ideia de
permitir o voto aos cidadãos residentes no extrangeiro. Se conhecer e
falar são condições essenciais de comunicação para que exista o debate
democrático, que é o que precede a toda eleição.

2. É necessário simplificar os costumes e os comportamentos para
evitar desperdiçar o tempo falando da justiça, de um tribunal para
encontrar soluções à grande quantidade de disputas de interesses
diversos que se produzem por natureza numa sociedade muito complexa.
Os ocidentais se definem como países civilizados, com costumes
complexos, e a Líbia como um país primitivo, ou seja, com costumes
simples. Desde esta perspectiva, uma vez mais, quem responde melhor
aos critérios democráticos de Rousseau é a Líbia, e não todos os que
pretendem dar-lhe lições de democracia. Numa sociedade complexa, a
maioria dos conflitos se resolvem aplicando a lei do mais forte, já
que, aquele com maiores recursos pode pagar um bom advogado e evitar
assim ir preso, e por cima de tudo, manipular o aparato repressivo do
Estado contra aquele que rouba uma banana num supermercado, no lugar
de ir contra o criminoso financeiro que leva a um banco à quebra. Numa
cidade como Nova York , onde o 75% da população é branca, 80% dos
cargos executivos o ocupam os brancos, e representam somente o 20% da
população carcerária.

3. A igualdade dos salários e das fortunas. Basta ver a lista
publicada pela revista FORBES em 2010 para conhecer os nomes das
pessoas mais ricas de cada um dos países que lançam bombas sobre os
líbios, e para ver a diferença que existe na relação com o salário
mínimo nestes países e o da Líbia, para poder entender que em matéria
de redistribuição da riqueza do país, Líbia é quem devería exportar
seus conhecimentos para aqueles que a atacam e não o contrário. Desde
esta perspectiva, segundo Rousseau, Líbia seria mais democrática que
aqueles que, de forma ostentosa, querem impôr a pretendida democracia.
Nos Estados Unidos, 60% da riqueza do país está em mãos de 5% da
população. Este és o país mais desequilibrado e mais desigual do
mundo.

4. SEM LUXOS. Segundo Rousseau para que um país seja democrático, não
deve existir o luxo porque o luxo faz que a riqueza seja necessária e
esta última se converta na virtude, no objetivo que deve ser alcançado
a todo custo, no lugar da felicidade do povo". O luxo corrompe a sua
vez o rico e ao pobre: a um porque o possui, ao outro porque o
ambiciona; vende a pátria à apatia, à vaidade; se despoja ao Estado de
todos seus cidadãos para submetê-los uns aos outros e todos sob uma
mesma opinião". Onde existe mais luxo, na França ou na Líbia? A
relação de escravidão em que são submetidos os empregados de empresas
públicas ou semipúblicas, que os anima ao suicídio pela mera ambição
econômica, onde é mais flagrante na Líbia ou no Ocidente?

Em 1956 o sociólogo norteamericano C. Wrigth Mills descreveu a
democracia norteamericana como « a ditadura das elites ». Segundo
Mills, os Estados Unidos da América não são uma democracia porque em
definitivo é o dinheiro e não o povo quem decide nas eleições. O
resultado de cada eleição é a expressão da voz do dinheiro e não da
voz do povo. Após Bush pai e Bush filho, para as primárias
republicanas de 2012 já se fala de Bush Benjamin. Ademais, se o poder
político se baseia na burocracia, Max Weber apontou que nos Estados
Unidos uns 43 milhões de funcionários e militares dirigem o país, mas
não foram eleitos pelo povo nem respondem diretamente ao mesmo por
sues atos. Em consequência se vota a uma única pessoa (um rico) mas na
realidade o verdadeiro poder sobre o terreno está em mãos de uma casta
de ricos que não são outros que os embaixadores, os generais do
exército, etc.

Quantas pessoas nos países autoproclamados « democráticos » sabem que
no Perú a Constituição proíbe que o presidente suplente possa
apresentar-se a um segundo mandato consecutivo? Quantas personas sabem
que na Guatemala , o presidente suplente não só está proibido de por
vida postular-se novamente como candidato a esse cargo, senão que além
disso nenhum membro de sua família poderá aspirar ao mesmo? Quantas
sabem que Ruanda é o país que melhor integra politicamente as mulheres
no mundo, com um 49% delas ocupando postos parlamentares?
Quantas sabem que segundo a classificação da CIA de 2007, dos 10
países melhor administrados no mundo, 4 deles são africanos? Com a
máxima qualificação para Guiné Equatorial, com uma dívida pública de
só 1,14% de seu PIB.

A guerra civil, as revoltas, as rebeliões são os ingredientes do
inicio de uma democracia, mantêm Rousseau. Porque a democracia não é o
fim, senão um processo permanente que busca reafirmar os direitos
naturais dos seres humanos, e que em todos os países do mundo (sem
exceção), um punhado de homens e mulheres confiscam o poder do povo e
o manipulam para exercer o controle. Em todos os lados se encontram
castas que usurpam a palavra "democracia", que deveria ser o ideal o
qual devemos nos dirigir e não uma etiqueta o um coro de alegorias que
só somos capazes de gritar mais alto que os demais. De acordo com
Russeau, se um país é tranquilo como França ou Estados Unidos, ou
seja, onde não há revoltas, isto simplesmente quer dizer que o sistema
ditatorial é o suficientemente repressivo como para evitar qualquer
tentativa de rebelião. O fato de que os líbios se rebelem, não supõe
algo negativo. Se diz que resulta muito prejudicial que os povos
aceitem resignados ante o mundo ol sistema que os oprime sem reagir.
Rousseau conclui: "Malo periculosam libertatem quam quietum servitium
- tradução - Se existisse um povo de Deus, este seria governado
democraticamente. Um governo tão perfeito não lhe convêm aos homens".
Dizer que se mata a todos os líbios pelo seu bem é um engano.

C. Quais são as lições para a África?

Após 500 anos de relação com o Ocidente de dominador e dominado, ficou
demonstrado que não temos os mesmos critérios para definir quem é o
bom e quem é o mau. Ambos temos interesses profundamente divergentes.
Como não deplorar o voto que emitiram os três países subsaarianos,
Nigéria, África do Sul e Gabão, a favor da resolução 1973 do Conselho
de Segurança? Esta resolução, que inicia uma nova forma de colonização
batizada como "proteção dos povos", valida a teoria racista que os
Europeus mantêm desde o século XVII, segundo a qual a África
setentrional não têm nada em comum com a África subsaariana, e que o
norte é mais evoluido, mais culto, e mais civilizado que o resto da
África, como se Túnez, Egito, Líbia, e Argélia não formassem parte da
África. Inclusive as Nações Unidas parecem ignorar a legitimidade que
têm a União Africana para seus Estados membros. O objetivo é isolar os
países da África subsaariana para debilitá-los e mantê-los sob
controle. De fato, o capital do novo Fundo Monetário Africano (FMA),
está composto por 16 bilhões de dólares provenientes da Argélia e 10
bilhões de dólares da Líbia, o que representa cerca de 62% do capital
total do Fundo, que ascende a 42 bilhões de dólares. O primeiro país
da África subsaariana e os dos mais povoados, Nigéria e África do Sul,
contribuiram com o Fundo em 3 bilhões de dólares cada um.

É preocupante constatar que pela primeira vez na história das Nações
Unidas, tenha sido declarada a guerra a um povo sem ter explorado
previamente a via pacífica para encontrar uma solução ao problema.

Têm a África ainda um lugar em dita Organização? Nigéria e África do
Sul estão dispostos a votar a favor de tudo o que Ocidente peça,
porque acreditam inocentemente nas promessas de uns e outros de um
lugar como membro permanente no Conselho de Segurança com o mesmo
direito a veto. Ambos esquecem que a França não têm nenhum poder para
lhes atribuir. Se tivesse, há muito tempo que Mitterrand o tivesse
feito para a Alemanha de Helmut Kohl. A reforma das Nações Unidas não
está na ordem do dia. A única maneira de contar é utilizando o método
chinês: cada um dos 50 países africanos deveriam deixar de ser membros
das Nações Unidas. Se algum dia decidirem regressar, seria unicamente
uma vez que tivessem obtido o que reivindicam há muito tempo, ou seja,
um lugar para toda a federação africana. Do contrário, nada.
Este método da não violência para conseguir a justiça é a única arma
da que dispõe os pobres e débeis como nós. Simplesmente, devemos
deixar as Nações Unidas, já que esta Organização por sua configuração
e sua hierarquia só está à serviço dos mais fortes.

Devemos deixar as Nações Unidas para demonstrar desta maneira nossa
desaprovação de uma concepção do mundo baseada unicamente na
destruição do mais débil. Ao menos, eles serão livres de continuar
fazendo-o, mas sem nossa aprovação, sem ter que afirmar que estamos de
acordo, já que eles sabem muito bem que nunca nos foi perguntado.
Apesar de nossa opinião tenha sido divulgada na reunião celebrada no
sábado 19 de março em Nouakchott , na que nos declaramos contrários à
ação militar, a mesma passou desapercebida e se colocou em marcha o
bombardeio ao povo africano.

Reaparece sobre o cenário o caso da China . Hoje em dia, se reconhece o
Governo de Ouatarra, se reconhece o governo dos insurgentes na Líbia.
Foi isto o que ocorreu no final da Segunda Guerra Mundial com a China .
A suposta comunidade internacional tinha eleito Taiwan como único
representante do povo chinês, no lugar da China de Mao. Tiveram que
esperar a que passassem 26 anos, quando em 25 de outubro de 1971 foi
aprovada a resolução 2758 do Conselho de Segurança (a qual deveriam
ler todos os africanos), para que se colocasse fim à insensatez
humana. China foi então aceita, além de ter reclamado e obtido um
assento como membro permanente do Conselho de Segurança com direito a
veto, de outro forma, não teria aceitado. Com esta exigência cumprida
e a resolução de admissão em vigor, tiveram que esperar a que
transcorresse um ano para que em 29 de setembro de 1972, o Ministro
chinês de Assuntos Exteriores desse sua resposta através de uma carta
enviada ao Secretário Geral das Nações Unidas, não para mostrar sua
satisfação ou agradecimento, senão para fazer esclarecimentos em
garantia de sua dignidade e respeito.

Que espera obter África das Nações Unidas se não se mostra firme e não
se faz respeitar? Na Costa do Marfim um funcionário das Nações Unidas
se considera toda uma instituição nesse país. Temos entrado na
Organização aceitando ser servos, acreditando que seríamos convidados
à mesa a comer com o resto, utilizando pratos que temos lavado nós
mesmos, simplesmente crédulos, ou pior ainda, estúpidos. Quando a UA
reconhece a vitória de Ouattara sem ter em conta as conclusões
adversas de seus próprios observadores enviados sobre o terreno, só
para satisfazer a nossos antigos amos. Como vão nos respeitar depois
disto? Quando o Presidente sulafricano Zuma declara que Ouattara não
tinha ganhado as eleições e dá um giro de 180 graus após uma visita a
Paris , cabe a pergunta, para que ter a estes dirigentes que
representam e falam em nome de 1 bilhão de africanos.

A força e a verdadeira liberdade da África surgirão de sua capacidade
de impor atos de reflexão e de assumir as consequências. A dignidade e
o respeito têm um preço. Estamos dispostos a pagar? Do contrário,
nosso lugar continuará na cozinha, garantindo o bem estar dos outros.

Genebra, 28/03/2011.

Jean-Paul Pougala

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