sexta-feira, 6 de julho de 2012

Para quem estiver interessado...


As verdadeiras razões da guerra na Líbia
Arranje um tempinho e leia. Ficarás mais AFRICANO!...



1. O primeiro satélite africano RASCOM 1

É a Líbia de Gadafi a que oferece a toda África a primeira revolução
verdadeira dos tempos modernos: assegurar a cobertura universal do
continente por meio da telefonía, a televisão, a radiodifusão e outras
múltiplas aplicações, tais ****como**** a telemedicina e a informação à
distância. Pela primeira vez, uma conexão de baixo custo se encontra
disponível em todo o continente, inclusive nas zonas rurais, graças ao
sistema de rádio WIMAX.

A história começa em 1992, quando 45 países africanos formaram a
sociedade RASCOM, cujo propósito era criar um satélite africano para
reduzir os custos de comunicação no continente. As chamadas
telefônicas desde e até o continente africano eram as mais caras do
mundo devido a um imposto anual de 500 milhões de dólares que Europa
adicionava sobre as conversas telefônicas, inclusive dentro de um
mesmo país africano, para que o trânsito de voz pudesse realizar-se
através de satélites europeus tais ****como**** Intelsat. A fabricação de um
satélite africano supunha um custo de exatamente 400 milhões de
dólares, a pagar numa entrega única, o que significava não ter que
pagar mais os 500 milhões de dólares anuais de aluguel. Que banqueiro
não financiaria um projeto semelhante? Porém, a equação mais difícil
de resolver era: ****como**** podia o escravo se libertar da exploração
servil
a que estava submetido tendo que pedir ajuda a seu amo para isto? É
assim que o Banco Mundial, o FMI, os Estados Unidos e a União Europeia
mantiveram esperando inutilmente a estes países durante 14 anos.

Foi em 2006 quando Gadafi pôs fim a inútil súplica aos supostos
bem-feitores ocidentais e a suas práticas de empréstimos com
excessivas taxas de juros. Líbia colocou sobre a mesa 300 milhões de
dólares, o Banco Africano de Desenvolvimento uns 50 milhões e o Banco
de Desenvolvimento da África Ocidental outros 27 milhões, e desta
forma, a partir de 26 de dezembro de 2007, África teve seu primeiro
satélite de comunicações de sua história. No processo, ****China**** e
Rússia
aparecem nesta cena cedendo sua tecnologia e permitindo o lançamento
de novos satélites, ****como**** o sulafricano, o nigeriano, o angolano e o
argelino, e inclusive se prevê o lançamento de um segundo satélite
africano em julho de 2010. **Para** o 2020 se espera construir o primeiro
satélite de tecnologia 100% africana cuja fabricação será feita em
solo argelino. É de esperar que o satélite concorra com os melhores do
mundo, mas a um custe 10 vezes menor, o que representa um verdadeiro
desafio.

É assim ****como**** um simples gesto simbólico de apenas 300 milhões pode
mudar a vida de todo um continente. A Líbia de Gadafi fez o Ocidente
perder não somente 500 milhões de dólares ao ano, senão milhares de
milhões de dólares derivados da dívida e juros que a mesma geraría
infinitamente e de maneira exponencial, tudo o qual contribuiría à
maquinaria oculta que tenta se aproveitar da África.

2. O Fundo Monetário Africano, o Banco **Central Africano** e o Banco
Africano de Investimento

Os 30 bilhões de dólares de fundos libios que Obama congelou
pertenecem ao Banco Central da Líbia e estão destinados a contribuir
com a finalização da federação africana através de três projetos
chaves:


- O Banco Africano de Investimento em Sirte, Líbia,

- A criação em 2011 do Fundo Monetário Africano, com um capital de 42
bilhões de dólares com sede em Yaoundé,

- O Banco Central Africano, com sede em ****Abuja**** , Nigéria, que com a
primeira emissão da moeda africana marcará o fim do franco CFA (franco
das colonias francesas na África) com o qual París domina alguns
países da África há 50 anos.

É portanto compreensível, mais uma vez, a irritação que sente París
com Gadafi. O Fundo Monetário Africano deve substituir todas as
atividades que o Fundo Monetário Internacional leva a cabo sobre o
terreno africano, que com só 25 bilhões de dólares de capital colocou
de joelhos a todo um continente, com privatizações questionáveis, ****como**
**
a de obrigar aos países africanos a passar de um monopólio público
para um privado. Os mesmos países ocidentais pediram formar parte do
Fundo Monetário Africano, pedido que foi recusado por unanimidade numa
reunião celebrada em Yaoundé, de 16 ao 17 de dezembro de 2010, onde se
estabeleceu que só os países africanos poderiam ser membros do Fundo.

É evidente que depois da Líbia, a coalizão ocidental declarará sua
seguinte guerra a Argélia, que além de contar com enormes recursos
energéticos, este país conta com uma reserva de divisas de 150 bilhões
de euros. Isto provoca a inveja de todos los países que bombardearam a
Líbia, os quais têm algo em comum: todos eles estão á ****beira**** da

quebra
econômica. Só os Estados Unidos contam com uma dívida de 14 bilhões de
dólares, França, Gran Bretanha e Itália possuem cada um ao redor de 2
bilhões de dívida pública, enquanto que os 46 países da África negra
possuem um total menos de 400 milhões de dívida pública. Criar guerras
falsas na África com a esperança de encontrar o oxigênio para
continuar com sua apnéia econômica que não faz mais que piorar, não
fará mais que afundar os ocidentais num declive que começou em 1884,
na famosa Conferência de Berlim. Porque como disse o economista
norteamericano Adams Smith em 1865, em apoio a Abraham Lincoln em sua
luta para abolir a escravidão, "a economia de todo país que pratica a
escravidão dos negros está na mira de iniciar seu descenso ao inferno
e será duro o dia em que outras nações despertem".

3. Uniões regionais como freio à criação dos Estados Unidos da África

Com o objetivo de desestabilizar e destruir a União Africana que se
encaminhava perigosamente (segundo o Ocidente) a formar, com a
destreza de Gadafi, os Estados Unidos da África, o primeiro que fez a
União Europeia foi tentar, sem êxito, a criação do mapa da União para
o Mediterrâneo (UPM). Era necessário a qualquer preço separar a África
do norte do resto do continente pregando as mesmas teorias racistas
reinantes nos séculos XVIII e XIX, segundo as quais os povos africanos
de origem árabe são mais avançados, mais civilizados que o resto do
continente. Esta tática não prosperou porque Gadafi entendeu
rapidamente do que se tratava o jogo desde o momento em que foi
mencionada a União para o Mediterrâneo, sem sequer informar à União
Africana, conseguiu reunir a uns poucos países africanos, ainda que
tenham sido convidados os 27 países que formam a União Europeia. Sem o
principal motor da federação africana, a UPM, que contava con Sarkozy
na cabeça e Mubarack como vicepresidente foi um fracasso antes de
começar, um projeto morto antes de nascer. Isto foi o que Alain Juppé
tentou reviver, apostando, é claro, que Gadafi caisse. O que os
líderes africanos não entendem é que enquanto o financiamento da União
Africana esteja em mãos da União Europeia, voltará ao ponto de
partida, porque nessas condições nunca haverá uma verdadeira
independência. Da mesma forma, a União Europeia promoveu e financiou
as agrupações regionais na África. Era óbvio que a CEDEAO, que têm uma
Embaixada em Bruxelas e que obtêm a maior parte de seus fundos da
União Europeia, represente um grande obstáculo para a federação
africana. Isto é pelo que Lincoln tinha lutado na guerra de secessão
nos Estados Unidos, porque desde o momento em que um grupo de países
se reúnem em torno a uma organização política regional, só pode servir
para debilitar ao corpo central. Isto é o que Europa queria e isso é o
que os africanos não entenderam quando criaram um após outro a COMESA,
a UAEAC, a SADC e o Gran Magreb, que não prosperou graças a Gadafi,
que, desde o principio, tinha entendido tudo muito bem.

4. Gadafi, o africano que permitiu limpar a humilhação do Apartheid

Gadafi está no coração da maioria dos africanos, a quem se conhece
como um homem muito generoso e humanista, e por seu apoio
desinteressado à batalha contra o regime racista da África do Sul. Se
Gadafi tivesse sido um homem egoísta, não teria ganhado a ira dos
ocidentais por brindar apoio financeiro e militar à ANC em sua luta
contra o Apartheid.

Por esta razão, em 23 de outubro de 1997, Mandela, apenas ser liberado
após 27 anos da prisão decidiu romper o embargo que as Nações Unidas
tinham imposto à Líbia. A causa deste embargo, que foi inclusive aéreo
e durou 5 longos anos, nenhum avião poderia aterrizar na Líbia. Para
poder acessar o país, era necessário pegar um voo a Túnez, aterrizar
em Djerba e continuar o percurso de 5 horas por terra por Ben Gardane,
atravessar a fronteira e continuar durante 3 horas mais pelo deserto
até chegar a Trípoli. Outra opção era entrar por Malta e fazer a
travessia durante à noite, em embarcações precárias e em mal estado
até chegar à costa Líbia.

Todo um povo foi submetido a este calvário para castigar a um só
homem. Mandela decidiu pôr fim a esta injustiça e respondeu ao ex
Presidente norteamericano Bill Clinton, que tinha julgado esta decisão
de inoportuna, dizendo: "Nenhum Estado pode assumir o papel de policia
mundial, e nenhum Estado pode ditar aos demais o que fazer". E
acrescentou: "os que ontem eram amigos de nossos inimigos têm agora o
valor de me propôr que não visite a meu irmão Gadafi, nos aconselham
que sejamos ingratos e que esqueçamos a nossos amigos de ontem". De
fato, para o Ocidente, os racistas da África do Sul eram seus irmãos e
necessitavam ser protegidos. A causa disto, todos os membros da ANC
foram considerados terroristas perigosos, entre eles Nelson Mandela.
Não foi até o 2 de julho de 2008 que o Congresso estadunidense aprovou
uma lei para eliminar da lista negra o nome de Nelson Mandela e de
seus companheiros da ANC, não porque tivesse percebido o ridículo da
situação, senão porque queriam ter um gesto pelo 90 aniversario de
Mandela. Se os ocidentais se arrependessem agora por apoiar no passado
aos inimigos de Mandela, e se fossem realmente sinceros quando puseram
seu nome nas ruas e praças, como é possível que continuem fazendo a
guerra a Gadafi, que foi quem fez possível a vitória a Mandela e sua
gente?

B. São os democratas que querem instaurar a democracia?

E se a Líbia de Gadafi fosse mais democrática que os Estados Unidos,
França, Gran Bretanha e todos aqueles que pretendem instaurar a
democracia na Líbia à força? Em 19 de março de 2003, o Presidente
George Bush lançou bombas sobre os iraquianos com o pretexto de
constituir um regime democrático. Em 19 de março de 2011, ou seja, 8
anos mais tarde e dia após dia, é o turno do Presidente francês, que
lança bombas sobre os líbios sob o mesmo pretexto. O Presidente Obama,
ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2009 e Presidente dos Estados
Unidos da América, justificou que seus submarinos disparassem mísseis
de cruzeiro contra os líbios, alegando que era para derrotar a Gadafi,
o ditador no poder, e para instaurar a democracia.

Todo ser humano com uma mínima capacidade intelectual para elaborar
julgamentos e apreciações de valor não pode deixar de se fazer esta
pergunta: os países como França, Inglaterra, os Estados Unidos,
Itália, Noruega, Dinamarca e Polônia, cuja legitimidade para
bombardear os líbios se baseia somente no fato de autoproclamar-se
"países democráticos", são realmente democráticos? Em caso afirmativo,
são mais democráticos que a Líbia de Gadafi? A resposta é
indiscutivelmente NÃO, pela simples razão de que a democracia não
existe. Não sou eu quem o afirma, senão o mesmo homem cuja cidade
natal, Genebra, aloja à maioria dos comandos das Nações Unidas. Se
trata de Jean-Jacques Rousseau, nascido em Genebra em 1712, quem
estabelece no capítulo IV do livro III de seu famoso "Contrato social"
que: "nunca houve uma verdadeira democracia e nunca haverá". Para que
um Estado seja verdadeiramente democrático, Rousseau planteava quatro
condições segundo as quais a Líbia de Gadafi é ainda muito mais
democrática que os Estados Unidos da América, França e todos os demais
que pretendem implantar a democracia, a saber:

1. Dimensão do Estado: quanto maior seja a extensão territorial de um
Estado, menos democrático será. Para Rousseau o Estado deve ser muito
pequeno para que o povo possa reunir-se com facilidade, e para que o
conhecimento entre cidadãos aconteça de forma natural. Antes de
convocá-los a votar é necessário se assegurar de que se conheçam entre
eles, já que votar pelo mero fato de fazê-lo se converteria num ato
despojado de todo fundamento democrático, num simulacro de democracia
para eleger a um ditador. A estrutura de organização do Estado líbio
se fundamenta num conceito tribal, ou seja, reagrupa o povo em
pequenas entidades. O sentimento democrático é mais forte numa tribo e
num povo mais que numa nação grande. O fato de que todos se conheçam e
que a vida gire ao redor dos mesmos interesses comuns proporciona uma
certa autorregulação e autocensura, inclusive apesar da reação ou
contra-reação dos demais membros a favor ou em contra das opiniões
expressadas. Desde este ponto de vista, é Líbia quem melhor responde
às exigências de Rousseau, e não os Estados Unidos da América, França
ou Gran Bretanha, sociedades fortemente urbanizadas onde a maioria dos
vizinhos não se cumprimentam e nem sequer se conhecem apesar de viver
um ao lado do outro após 20 anos.

Nestes países, foi passada diretamente à etapa seguinte: "o voto", que
se foi santificado de forma maliciosa, para fazer esquecer que o mesmo
é inútil a partir do momento em que se fala do futuro de uma nação sem
conhecer a seus habitantes. Inclusive foi proposta a ridícula ideia de
permitir o voto aos cidadãos residentes no extrangeiro. Se conhecer e
falar são condições essenciais de comunicação para que exista o debate
democrático, que é o que precede a toda eleição.

2. É necessário simplificar os costumes e os comportamentos para
evitar desperdiçar o tempo falando da justiça, de um tribunal para
encontrar soluções à grande quantidade de disputas de interesses
diversos que se produzem por natureza numa sociedade muito complexa.
Os ocidentais se definem como países civilizados, com costumes
complexos, e a Líbia como um país primitivo, ou seja, com costumes
simples. Desde esta perspectiva, uma vez mais, quem responde melhor
aos critérios democráticos de Rousseau é a Líbia, e não todos os que
pretendem dar-lhe lições de democracia. Numa sociedade complexa, a
maioria dos conflitos se resolvem aplicando a lei do mais forte, já
que, aquele com maiores recursos pode pagar um bom advogado e evitar
assim ir preso, e por cima de tudo, manipular o aparato repressivo do
Estado contra aquele que rouba uma banana num supermercado, no lugar
de ir contra o criminoso financeiro que leva a um banco à quebra. Numa
cidade como Nova York , onde o 75% da população é branca, 80% dos
cargos executivos o ocupam os brancos, e representam somente o 20% da
população carcerária.

3. A igualdade dos salários e das fortunas. Basta ver a lista
publicada pela revista FORBES em 2010 para conhecer os nomes das
pessoas mais ricas de cada um dos países que lançam bombas sobre os
líbios, e para ver a diferença que existe na relação com o salário
mínimo nestes países e o da Líbia, para poder entender que em matéria
de redistribuição da riqueza do país, Líbia é quem devería exportar
seus conhecimentos para aqueles que a atacam e não o contrário. Desde
esta perspectiva, segundo Rousseau, Líbia seria mais democrática que
aqueles que, de forma ostentosa, querem impôr a pretendida democracia.
Nos Estados Unidos, 60% da riqueza do país está em mãos de 5% da
população. Este és o país mais desequilibrado e mais desigual do
mundo.

4. SEM LUXOS. Segundo Rousseau para que um país seja democrático, não
deve existir o luxo porque o luxo faz que a riqueza seja necessária e
esta última se converta na virtude, no objetivo que deve ser alcançado
a todo custo, no lugar da felicidade do povo". O luxo corrompe a sua
vez o rico e ao pobre: a um porque o possui, ao outro porque o
ambiciona; vende a pátria à apatia, à vaidade; se despoja ao Estado de
todos seus cidadãos para submetê-los uns aos outros e todos sob uma
mesma opinião". Onde existe mais luxo, na França ou na Líbia? A
relação de escravidão em que são submetidos os empregados de empresas
públicas ou semipúblicas, que os anima ao suicídio pela mera ambição
econômica, onde é mais flagrante na Líbia ou no Ocidente?

Em 1956 o sociólogo norteamericano C. Wrigth Mills descreveu a
democracia norteamericana como « a ditadura das elites ». Segundo
Mills, os Estados Unidos da América não são uma democracia porque em
definitivo é o dinheiro e não o povo quem decide nas eleições. O
resultado de cada eleição é a expressão da voz do dinheiro e não da
voz do povo. Após Bush pai e Bush filho, para as primárias
republicanas de 2012 já se fala de Bush Benjamin. Ademais, se o poder
político se baseia na burocracia, Max Weber apontou que nos Estados
Unidos uns 43 milhões de funcionários e militares dirigem o país, mas
não foram eleitos pelo povo nem respondem diretamente ao mesmo por
sues atos. Em consequência se vota a uma única pessoa (um rico) mas na
realidade o verdadeiro poder sobre o terreno está em mãos de uma casta
de ricos que não são outros que os embaixadores, os generais do
exército, etc.

Quantas pessoas nos países autoproclamados « democráticos » sabem que
no Perú a Constituição proíbe que o presidente suplente possa
apresentar-se a um segundo mandato consecutivo? Quantas personas sabem
que na Guatemala , o presidente suplente não só está proibido de por
vida postular-se novamente como candidato a esse cargo, senão que além
disso nenhum membro de sua família poderá aspirar ao mesmo? Quantas
sabem que Ruanda é o país que melhor integra politicamente as mulheres
no mundo, com um 49% delas ocupando postos parlamentares?
Quantas sabem que segundo a classificação da CIA de 2007, dos 10
países melhor administrados no mundo, 4 deles são africanos? Com a
máxima qualificação para Guiné Equatorial, com uma dívida pública de
só 1,14% de seu PIB.

A guerra civil, as revoltas, as rebeliões são os ingredientes do
inicio de uma democracia, mantêm Rousseau. Porque a democracia não é o
fim, senão um processo permanente que busca reafirmar os direitos
naturais dos seres humanos, e que em todos os países do mundo (sem
exceção), um punhado de homens e mulheres confiscam o poder do povo e
o manipulam para exercer o controle. Em todos os lados se encontram
castas que usurpam a palavra "democracia", que deveria ser o ideal o
qual devemos nos dirigir e não uma etiqueta o um coro de alegorias que
só somos capazes de gritar mais alto que os demais. De acordo com
Russeau, se um país é tranquilo como França ou Estados Unidos, ou
seja, onde não há revoltas, isto simplesmente quer dizer que o sistema
ditatorial é o suficientemente repressivo como para evitar qualquer
tentativa de rebelião. O fato de que os líbios se rebelem, não supõe
algo negativo. Se diz que resulta muito prejudicial que os povos
aceitem resignados ante o mundo ol sistema que os oprime sem reagir.
Rousseau conclui: "Malo periculosam libertatem quam quietum servitium
- tradução - Se existisse um povo de Deus, este seria governado
democraticamente. Um governo tão perfeito não lhe convêm aos homens".
Dizer que se mata a todos os líbios pelo seu bem é um engano.

C. Quais são as lições para a África?

Após 500 anos de relação com o Ocidente de dominador e dominado, ficou
demonstrado que não temos os mesmos critérios para definir quem é o
bom e quem é o mau. Ambos temos interesses profundamente divergentes.
Como não deplorar o voto que emitiram os três países subsaarianos,
Nigéria, África do Sul e Gabão, a favor da resolução 1973 do Conselho
de Segurança? Esta resolução, que inicia uma nova forma de colonização
batizada como "proteção dos povos", valida a teoria racista que os
Europeus mantêm desde o século XVII, segundo a qual a África
setentrional não têm nada em comum com a África subsaariana, e que o
norte é mais evoluido, mais culto, e mais civilizado que o resto da
África, como se Túnez, Egito, Líbia, e Argélia não formassem parte da
África. Inclusive as Nações Unidas parecem ignorar a legitimidade que
têm a União Africana para seus Estados membros. O objetivo é isolar os
países da África subsaariana para debilitá-los e mantê-los sob
controle. De fato, o capital do novo Fundo Monetário Africano (FMA),
está composto por 16 bilhões de dólares provenientes da Argélia e 10
bilhões de dólares da Líbia, o que representa cerca de 62% do capital
total do Fundo, que ascende a 42 bilhões de dólares. O primeiro país
da África subsaariana e os dos mais povoados, Nigéria e África do Sul,
contribuiram com o Fundo em 3 bilhões de dólares cada um.

É preocupante constatar que pela primeira vez na história das Nações
Unidas, tenha sido declarada a guerra a um povo sem ter explorado
previamente a via pacífica para encontrar uma solução ao problema.

Têm a África ainda um lugar em dita Organização? Nigéria e África do
Sul estão dispostos a votar a favor de tudo o que Ocidente peça,
porque acreditam inocentemente nas promessas de uns e outros de um
lugar como membro permanente no Conselho de Segurança com o mesmo
direito a veto. Ambos esquecem que a França não têm nenhum poder para
lhes atribuir. Se tivesse, há muito tempo que Mitterrand o tivesse
feito para a Alemanha de Helmut Kohl. A reforma das Nações Unidas não
está na ordem do dia. A única maneira de contar é utilizando o método
chinês: cada um dos 50 países africanos deveriam deixar de ser membros
das Nações Unidas. Se algum dia decidirem regressar, seria unicamente
uma vez que tivessem obtido o que reivindicam há muito tempo, ou seja,
um lugar para toda a federação africana. Do contrário, nada.
Este método da não violência para conseguir a justiça é a única arma
da que dispõe os pobres e débeis como nós. Simplesmente, devemos
deixar as Nações Unidas, já que esta Organização por sua configuração
e sua hierarquia só está à serviço dos mais fortes.

Devemos deixar as Nações Unidas para demonstrar desta maneira nossa
desaprovação de uma concepção do mundo baseada unicamente na
destruição do mais débil. Ao menos, eles serão livres de continuar
fazendo-o, mas sem nossa aprovação, sem ter que afirmar que estamos de
acordo, já que eles sabem muito bem que nunca nos foi perguntado.
Apesar de nossa opinião tenha sido divulgada na reunião celebrada no
sábado 19 de março em Nouakchott , na que nos declaramos contrários à
ação militar, a mesma passou desapercebida e se colocou em marcha o
bombardeio ao povo africano.

Reaparece sobre o cenário o caso da China . Hoje em dia, se reconhece o
Governo de Ouatarra, se reconhece o governo dos insurgentes na Líbia.
Foi isto o que ocorreu no final da Segunda Guerra Mundial com a China .
A suposta comunidade internacional tinha eleito Taiwan como único
representante do povo chinês, no lugar da China de Mao. Tiveram que
esperar a que passassem 26 anos, quando em 25 de outubro de 1971 foi
aprovada a resolução 2758 do Conselho de Segurança (a qual deveriam
ler todos os africanos), para que se colocasse fim à insensatez
humana. China foi então aceita, além de ter reclamado e obtido um
assento como membro permanente do Conselho de Segurança com direito a
veto, de outro forma, não teria aceitado. Com esta exigência cumprida
e a resolução de admissão em vigor, tiveram que esperar a que
transcorresse um ano para que em 29 de setembro de 1972, o Ministro
chinês de Assuntos Exteriores desse sua resposta através de uma carta
enviada ao Secretário Geral das Nações Unidas, não para mostrar sua
satisfação ou agradecimento, senão para fazer esclarecimentos em
garantia de sua dignidade e respeito.

Que espera obter África das Nações Unidas se não se mostra firme e não
se faz respeitar? Na Costa do Marfim um funcionário das Nações Unidas
se considera toda uma instituição nesse país. Temos entrado na
Organização aceitando ser servos, acreditando que seríamos convidados
à mesa a comer com o resto, utilizando pratos que temos lavado nós
mesmos, simplesmente crédulos, ou pior ainda, estúpidos. Quando a UA
reconhece a vitória de Ouattara sem ter em conta as conclusões
adversas de seus próprios observadores enviados sobre o terreno, só
para satisfazer a nossos antigos amos. Como vão nos respeitar depois
disto? Quando o Presidente sulafricano Zuma declara que Ouattara não
tinha ganhado as eleições e dá um giro de 180 graus após uma visita a
Paris , cabe a pergunta, para que ter a estes dirigentes que
representam e falam em nome de 1 bilhão de africanos.

A força e a verdadeira liberdade da África surgirão de sua capacidade
de impor atos de reflexão e de assumir as consequências. A dignidade e
o respeito têm um preço. Estamos dispostos a pagar? Do contrário,
nosso lugar continuará na cozinha, garantindo o bem estar dos outros.

Genebra, 28/03/2011.

Jean-Paul Pougala

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Ruina do Capitalismo

Numa iniciativa de procurar desvendar a actual situacao economica no mundo sugiro aos interessados a leitura de uma entrevista do sociologo americano Wallstern sobre a "Ruina do Capitalismo", onde este faz uma abordagem do futuro capitalismo, seus perigos, o seu sucesso, bem como a sua manuntecao, achei interessante as analises feitas por este razao que me leva a difundi-la para uma reflexao. Deste modo, gostaria que fizessemos uma leitura minunciosa e porteriorimente podessemos comentar sobre a mesma:

" A RUINA DO CAPITALISMO

Gustavo Opschpe

Para o sociólogo americano Immanuel Wallerstein, a humanidade atravessará 50 anos de convulsões sociais com a agonia do sistema. GUSTAVO IOSCHPE, colunista da FolhaNas paredes do diminuto escritório em Paris, pôsteres amarelecidos de cidades italianas e anúncios de palestras, uma estante com livros, um rack com fitas cassete de música clássica. Uma mesa para o computador e outra para a montanha de papéis. No centro da anarquia, o protagonista: Immanuel Wallerstein, um dos mais importantes intelectuais vivos e um dos principais sociólogos em atividade.Próximo aos 70 anos, o sociólogo americano é o autor da monumental trilogia "The Modern World-System", três catataus que descrevem o mundo capitalista do século 16 até o 19. Sua análise de "sistemas-mundo" é uma tentativa de ver o sistema capitalista como um todo, entendendo que não se trata de uma colcha de retalhos de Estados nacionais autônomos, mas de um sistema unificado e altamente hierarquizado, que surgiu muito antes de fábricas e navios a vapor.

É de Wallerstein a famosa separação do mundo entre os países de centro e de periferia e a constatação de que estes sofriam com os termos desiguais de comércio praticados por aqueles. Suas idéias vêm ajudando a derrubar alguns dos axiomas pelos quais (sobre)vivemos: a crença na utilidade do Estado-nação como ferramenta de melhoria de posição na escala das coisas; a idéia, emprestada do neoclassicismo econômico e da teoria da modernização, de que todos os países devem convergir, em algum momento, no paraíso da fartura e da opulência; e a certeza de que o sistema capitalista, apesar de não ter tudo resolvido, pelo menos trouxe ganhos em qualidade de vida para a humanidade, desde que foi implantado há 500 anos.Wallerstein questiona e redireciona tudo: a validade da ciência, a crença no progresso, a malignidade das elites nacionais, a esperança dos terceiro-mundistas pela ascensão dentro do sistema e o futuro do mundo como o conhecemos. No fim, o discreto cidadão na sala pequena de um prédio velho de uma rua de Paris acaba desmontando as próprias idéias e avisa: o capitalismo não dura mais que 50 anos; até lá vamos ter um período de muita incerteza, desordem e, principalmente, mudança, como ele diz na entrevista a seguir.

Folha - Muitos países têm entrado voluntariamente em acordos de livre comércio no chamado mundo "globalizado" com potências que recentemente os exploravam, acreditando na doutrina de vantagem comparativa. O sr. vê essa adesão como o "beijo da morte" para os países periféricos?

Immanuel Wallerstein - Em primeiro lugar, eu acho que o termo "globalização" é em grande parte um slogan e uma mistificação, não uma realidade nova. Estamos falando é da liberdade de movimento dos fatores de produção versus protecionismo. Isso tem sido uma questão por 500 anos. Países foram para um lado e para outro na questão, porque há vantagens em ambos, para todos. No momento, os EUA têm liderado um grande esforço para derrubar barreiras, especialmente de fluxos de capital. Os fluxos financeiros sempre foram os mais controlados de todos. Os EUA tiveram um certo nível de sucesso nos últimos dez anos, conseguindo com que países fizessem coisas para as quais eles ainda não estavam preparados.Por um lado, essa iniciativa começou com muito êxito. Quando você proclama que não há alternativas ao modelo neoliberal, o que está querendo dizer é que não deveria haver outras alternativas, mas, obviamente, elas existem. Houve uma forte reação. Não só uma reação de vários países, que disseram: "Isso não funciona para nós, vamos sair perdendo", mas também dos EUA e da Europa Ocidental, de pessoas como Jeffrey Sachs e Kissinger; pessoas que você não poderia nunca chamar de esquerdistas. E o argumento deles é muito sensato, ao dizerem que as pessoas que têm se esforçado para conseguir esse livre fluxo não pensaram nas consequências de uma política como essa. As consequências são muito severas: colapsos de liderança, seguidos de revoluções etc. O que eles estão dizendo é que você deve fazer isso de uma maneira mais social.Então a combinação da discussão, simbolicamente, do FMI-Banco Mundial e a crescente resistência de alguns países definitivamente diminuíram o grau de abertura. Mas isso não é nada de novo, acelera e regride o tempo todo, e certamente o livre comércio não é uma panacéia. Quer dizer, a idéia de que você deve competir não tem nada de novo _o que é o capitalismo senão a teoria de que você tem de ser competitivo no mercado mundial?

Folha - O sr. não acha que a adesão formal a tratados de livre comércio é algo novo e prejudicial?

Wallerstein - Certamente não é novo. Certamente algo que não é bom "per se": é bom para alguns e ruim para outros. E certamente não é inevitável ou irrevogável. Quer dizer, eu não acho que daqui a dez ou 15 anos haverá mais abertura do que há agora, talvez até haja consideravelmente menos.À medida que os EUA constroem uma zona na América Latina, quais seriam os excluídos? Os europeus, os japoneses... Mas eles terão as suas próprias zonas. Nós podemos, daqui a dez ou 15 anos, ter um mundo formalmente dividido em três zonas, dentro das quais haverá livre comércio, mas não entre elas. Nós já estamos vendo coisas assim na Europa Ocidental, que são apenas um sinal de conflitos mais fundamentais ainda por vir.

Folha - O livre comércio _ou a globalização, como é chamado_ vem sendo defendido por membros da chamada Terceira Via, pessoas de perfil social-democrata, como Blair, Clinton...

Wallerstein - ... E Fernando Henrique Cardoso.

Folha - Isso significa que a Terceira Via seria apenas um disfarce, um rótulo?

Wallerstein - Não. Olha, os social-democratas vêm, cada vez mais, migrando para o centro, por cem anos. Essas pessoas querem capturar a posição liberal. Em parte, é uma tentativa de conseguir mais votos. Eles acham que vão consegui-los no centro, sem perder votos na esquerda, se eles se proclamarem social-democratas. Mas eu não acho que essa seja a receita para o sucesso. Não acho que nisso haja algo de novo: trata-se da clássica posição centrista, liberal, que vem enfraquecendo nos últimos 30 anos, e eles estão tentando restaurá-la. Falta saber quanto sucesso terão.Uma coisa que se pode dizer sobre a Terceira Via é que ela funciona. Se você é Clinton, ela funciona contra um Partido Republicano de extrema-direita. E, se você é Blair, ela funciona contra um Partido Conservador de extrema-direita. Mas, se os republicanos voltarem para sua posição de "moderados" e os conservadores voltarem para sua posição tradicional, por que os eleitores votariam na versão falsa, quando eles podem votar na versão verdadeira? Isso é tudo que tem de ser feito para a Terceira Via ser derrotada. Então, eu não a vejo como o caminho do futuro. Acho que ela já alcançou seu cume e agora está começando a retroceder.Que Fernando Henrique Cardoso tenha aderido a isso diz mais sobre as suas tentativas de se posicionar internacionalmente do que sobre a política interna brasileira. Não creio que isso importe muito em termos de política interna brasileira. Eu não imagino que as pessoas saibam o que isso significa.

Folha - O sr. defende, na contracorrente das idéias dominantes, que, com o fim da Guerra Fria, o que realmente teria sido derrotado foi o liberalismo.

Wallerstein - Se você quer começar com as minhas heresias, iniciemos com o que eu entendo por liberalismo. O liberalismo é, como quase todos os termos políticos importantes, um termo confuso e que confunde, e as pessoas o usam de várias maneiras diferentes. Há liberalismo político, econômico, liberalismo cultural _e esses termos não são a mesma coisa. As pessoas podem ser um sem ser o outro. Então, por que usamos o mesmo termo?Os liberais têm sido pró e contra o liberalismo político, pró e contra o liberalismo econômico e pró e contra o liberalismo cultural, se você olhar para a verdadeira história do movimento. Então, é óbvio que nenhuma dessas é a questão-chave. O liberalismo tem sido, desde o início, a doutrina dos centristas do mundo.

Folha - Entre os conservadores e os movimentos anti-sistêmicos?

Wallerstein - Exato. Tem sido a força dominante. Dizem: "Sim, o comércio é inevitável, o progresso está chegando e é uma coisa boa, mas ele tem de ser administrado e controlado por experts, e o que a gente tem para oferecer é reforma administrada". O liberalismo quer começar uma doutrina orientada pelo Estado (e a idéia de que o liberalismo é contra o Estado é uma loucura absoluta) sobre como controlar rebeliões em massa, por meio de concessões.Se você pensar no liberalismo como a doutrina reformista que faz concessões para aplacar o descontentamento popular, mas sem entregar o jogo e mantendo o sistema, aí pode ver o seu sucesso histórico e os problemas que ele enfrenta hoje.Parte do argumento é que os liberais conseguiram cooptar a oposição: por um lado, os conservadores, que eram contra qualquer tipo de mudança, e, por outro, os radicais, que queriam mudanças amplas e rápidas. E assim criou o que eu chamo de avatares do liberalismo, que podem discutir se querem reformas mais rápidas ou mais lentas, mas que, basicamente, aceitam as premissas do liberalismo. Isso controlou a situação política.O último avatar do liberalismo foi o leninismo, que disse às massas: "Confie em nós, pois, quando chegarmos ao poder, faremos todas as reformas e, se as reformas não chegarem rápido o suficiente, é porque estamos sendo atacados, mas esperem e nós chegaremos, logo, na sociedade perfeita".O meu argumento é que isso foi o que manteve o sistema nos últimos 30, 50 anos e, quando isso caiu, quando os movimentos anti-sistêmicos _na forma de movimentos de liberação nacional, comunistas ou até social-democratas_ perderam o apoio popular, porque eles não conseguiram mudar o mundo, isso provocou a queda do comunismo. Provocou também a queda da principal ferramenta de controle que as forças dominantes tinham sobre as massas, que, então, ficaram desiludidas.Elas não têm mais a crença de que alguma magia ou feitiço vá acontecer e se tornam, por um lado, contra o Estado e, por outro lado, muito amedrontadas _porque o Estado está entrando em colapso a sua volta, e há crimes_ e então elas se voltam ao que eu chamo de "grupismo", que é a criação de grupos que vão prover segurança contra o perigo.

Folha - Será que o sr. poderia delinear, de forma resumida, suas razões para achar que o capitalismo está agonizando?

Wallerstein - Eu venho argumentando que o capitalismo está acabando por causa dos limites impostos à acumulação de capital, de um lado, e do colapso da sua sustentação política, de outro.A sustentação política do capitalismo tem sido o liberalismo que tem especialmente por meio de seu avatar reprimido revoltas populares. Basicamente, em uma palavra, a sustentação política mais importante é a legitimação do Estado. E a legitimação do Estado passa pela promessa dos movimentos anti-sistêmicos de que o Estado seria uma ferramenta boa para transformar o mundo. Eu acho que isso acabou.Então nós vamos às bases econômicas do sistema, e o sistema existe para a acumulação incessante de capital. O que eu venho argumentando é que isso está sendo prejudicado por três razões: um, o nível mundial de salários vem subindo e deve continuar crescendo por causa da "desruralização" do mundo; dois, o preço da matéria-prima vem subindo por causa do fim da possibilidade de externalização barata dos custos, essa é a crise ecológica; e três, o preço da arrecadação de impostos vem subindo mundialmente _a porcentagem de dinheiro recolhido que é destinada ao Estado, por aquilo que eu chamo de democratização do mundo, à medida que a população pressiona o Estado para que este lhe propicie saúde, educação e renda perpétua.Então há três fatores, em escala mundial, que vem encolhendo as margens de lucro _e vão continuar a fazê-lo cada vez mais. Por um lado, do ponto de vista dos capitalistas, vale cada vez menos fazer parte do sistema e, por outro lado, é cada vez mais difícil de manter legitimidade política

Folha - Nos próximos 50 anos, o sr. prevê uma série de convulsões sociais...

Wallerstein - À medida que o sistema entra em colapso, a ordem social também rui, nacional e internacionalmente. Eu prevejo uma série de guerras sangrentas e inconcludentes, mas também tumultos sociais internos. E, particularmente, eu quero enfatizar que esses tumultos _normalmente associados a países de Terceiro Mundo, da periferia_ agora vão acontecer no Norte. Especialmente nos Estados Unidos, mas também na Europa Ocidental, Japão etc. Será um mundo desagradável para se viver; intelectualmente estimulante, politicamente muito interessante e pessoalmente muito difícil.

Folha - Que tipo de conflitos o sr. vê entre o Norte e o Sul?

Wallerstein - Eu vejo o conflito adotando o que eu chamo da forma Khomeini _uma dissensão radical de valores, a negação de se jogar pelas regras_; a forma Saddam Hussein _que é totalmente diferente, é calculadamente geopolítica: "Vamos aumentar nossos arsenais e desafiar o mundo". E a terceira forma, que eu chamo de "balseiros" _o caminho individual. Já que nós temos um mundo polarizado social e demograficamente, nós teremos, inevitavelmente, grandes fluxos migratórios, que você não consegue segurar. Você pode diminui-los, mas não pode pará-los.

Folha - Migração do sul para o norte?

Wallerstein - É, do sul para o norte. Esses fluxos criarão o tumulto social interno nos países do norte. A demografia vai mudar, de forma dramática. E não só porque as pessoas irão do Brasil ou da Venezuela para os EUA: haverá uma cascata de fluxos, que irá mais rápido do que jamais ocorreu, e nós teremos um efeito político mais radical, por causa de sua velocidade e de seu tamanho.

Folha - O sr. disse uma vez que é impossível para a América Latina desenvolver-se sozinha.

Wallerstein - Não era sobre a América Latina. A ideologia liberal é a de que todos os países estão em estradas paralelas, indo para a frente. É a teoria da modernização... Então todos podem desenvolver-se, só é preciso que se aja da maneira correta. Então, nós podemos dizer: "Bolívia, você está numa situação péssima hoje, mas, se você fizer tudo direitinho, daqui a 30 ou 50 anos, você estará, se não como os EUA, pelo menos como o Canadá". Agora, dentro da estrutura do mundo capitalista, isso é "nonsense". O sistema requer polarização e, aliás, floresce nela. É uma questão de um sistema que é hierárquico. Um Estado em particular pode melhorar sua situação, mas, no geral, isso significa que alguém tem de piorar, porque a natureza hierárquica do sistema tem sido persistente desde o começo. E, como todos os dados mostram, nós estamos mais polarizados do que nunca, em 1999. A diferença entre os que estão no topo e os que estão embaixo é a maior que já houve. E isso nunca será solucionado dentro do sistema, senão você não poderia acumular capital.Então, se você se refere a desenvolvimento nacional, é uma ilusão. Não são os Estados que se desenvolvem, mas o sistema. E o sistema como um todo está em crise. Mas a ilusão desenvolvimentista tem muita força, porque, se você vive em um Estado que não anda tão bem, parece uma idéia maravilhosa que o seu Estado deva fazer algo. E, para as pessoas que estão no topo, nesses países, é uma boa forma de conseguir poder político, para apresentar essa ilusão desenvolvimentista. Mas isso não aconteceu e não vai acontecer.A maioria dos Estados latino-americanos está na base da pirâmide... alguns estão no meio _o Brasil é claramente um desses. Mas o Brasil é um país grande. Tamanho importa. Você tem certas vantagens por ser grande; não só vantagens internas, mas externas. Você tem mais poder, mais influência. Você ganha algumas migalhas como resultado.

Folha - Mas serão sempre apenas migalhas?

Wallerstein - Bem, eu suponho que, se o sistema capitalista fosse existir por mais 150 anos _o que eu não acho que vá acontecer_, talvez o Brasil se tornasse um grande centro, se a Europa ruísse, ou algo do gênero, o que não é totalmente impossível, já que nós temos rotações no sistema. Mas não acho que isso vá acontecer, porque eu não creio que o sistema vá durar até lá.

Folha - Então, o que pode ser feito em um país como o Brasil?

Wallerstein - Há 50 anos, você pensava que podia se desenvolver, então adotava políticas liberais ou políticas socialistas, não importa. Todos achavam que esse era o caminho para a salvação. Todos tentaram. Não funcionou muito. Pessoas diziam que o caminho para a salvação era juntar-se à economia global, mas essa só é a salvação para um pequeno número, não para as massas.Entretanto as massas têm sorte, porque em 1999 há mais possibilidades do que havia em 1945, precisamente porque o sistema está entrando em colapso. Portanto nós teremos a oportunidade de construir uma nova alternativa _e a questão é se ela será melhor ou pior que a atual. Nós podemos construir uma alternativa melhor. Esse é um desafio para as pessoas no Brasil e para as pessoas nos Estados Unidos. É um desafio para todos: construir uma nova estrutura _essa é a principal questão política.

Folha - Um país periférico, como o Brasil, pode ter poder suficiente para influir na construção dessa nova alternativa?

Wallerstein - Acho que os brasileiros têm tanto poder para afetar onde nós vamos estar daqui a 25 ou 50 anos quanto as pessoas dos Estados Unidos. Elas podem até mais, porque o que segura as pessoas nos Estados Unidos e na Europa Ocidental é um senso de privilégio presente e um medo de perdê-lo e, portanto, elas tomam decisões insensatas a longo prazo. Como a maioria das pessoas no Brasil não têm esse medo de perder uma posição privilegiada, elas podem tomar decisões mais acertadas. Eu nunca defendi a supremacia do Primeiro ou do Terceiro Mundo. Acho que nós todos estamos juntos nessa.

Folha - Presumindo-se que o sistema capitalista não desapareça nos próximos 100 anos, aí então haveria a possibilidade de mudança significativa?

Wallerstein - Quer dizer, se eu estiver completamente errado, outras coisas podem acontecer? (risos). Sim, podem. Eu não posso especular. Faço a melhor análise que posso e, assim como outros analistas, posso não estar certo.

Folha - Uma de suas razões para acreditar na falência do capitalismo é a crença de que o mundo piorou, não só em termos relativos, mas absolutos, desde o início do que o sr. chama de capitalismo histórico. O sr. poderia explicar como consegue medir essa falência?

Wallerstein - É muito difícil de medir. Você tem de medir em termos de quantidade real de comida para comer, de espaço para usar, de recursos naturais para aproveitar e até longevidade. Eu não estou completamente convencido de que a longevidade aumentou. Claro que sim, estatisticamente, mas muito desse aumento tem a ver com a sobrevivência infantil, entre as idades de 0 a 1 ano e de 0 a 5 anos. Não estou muito convencido de que as pessoas que atingem os 5 anos vivem mais do que elas viviam antigamente. E, você sabe, as pessoas têm televisão agora, o que elas não tinham cem anos atrás, mas possuíam outras formas de divertimento. As pessoas vivem em uma favela urbana e antes elas moravam em uma cabana agrícola _qual é melhor? Nós temos um trabalho difícil de medir qualidade de vida. As pessoas morriam por razões diferentes; se essas são melhores ou piores do que as razões (ou doenças) pelas quais se morre agora, eu não sei.Digamos que sou uma voz dissidente sobre a obviedade das melhorias do capitalismo. Não há dúvidas de que, para pessoas da classe média alta, suas vidas são melhores do que as das pessoas de mesmo nível comparadas a cem anos atrás. E, normalmente, nós estamos olhando para nós mesmos quando fazemos esse tipo de afirmação de que o capitalismo melhorou a qualidade de vida. Mas, se você olhar para as pessoas das classes mais baixas, a coisa não é tão óbvia.

Folha - O sr. mencionou Fernando Henrique Cardoso. O que pensa de seu governo? Suas ações no poder tem surpreendido o sr., que o conheceu na condição de intelectual?

Wallerstein - Ele tomou a decisão política de mover para o centro, que pensa ser a melhor para a situação brasileira. Até agora tem recebido apoio popular.

Folha - Que caiu muito depois da desvalorização do Real.

Wallerstein - Bom, isso sobe e desce. Deixe eu dizer isso: FHC é um homem muito esperto, e as decisões que ele tomou são decisões pensadas, refletidas, e são as decisões que ele acha as mais acertadas. Talvez não sejam as decisões que eu tomaria.

Folha - O sr. poderia colocar o trabalho intelectual dele em perspectiva?

Wallerstein - Como sociólogo, ele é uma figura importante, foi um dos primeiros "dependentistas"; seus escritos foram bastante influentes. Ele então se moveu de uma posição dependentista clássica para o que ele chamou de desenvolvimento dependente. Os dependentistas diziam que desenvolvimento nacional é impossível, e Cardoso mudou sua postura para dizer que o desenvolvimento era possível, caso houvesse um Estado forte.Essa posição o levou de uma posição de dependentista para uma variável da teoria da modernização. Essa foi a mudança intelectual que ele fez, e dela resultaram as óbvias mudanças políticas que também fez. Mas como intelectual tem sido influente; é certamente um dos mais importantes sociólogos do pós-guerra.

Folha - Então sua política não o surpreende, pois o sr. a vê como congruente com sua mudança intelectual?

Wallerstein - Deixe eu colocar da seguinte forma: sua política atual está muito longe de sua posição intelectual dos anos 50, mas eu não estou muito certo de que elas sejam muito diferentes de sua postura do começo dos anos 70. Ele mudou, em resultado da reavaliação que fez a respeito do que acontecia no mundo. Então, a sua política de hoje me parece consistente com a sua postura intelectual desde, pelo menos, o início dos anos 70.

Folha - Que tipo de cenário teríamos, no mundo, depois do colapso do capitalismo ?

Wallerstein - É muito arriscado fazer projeções para o cenário futuro, de como o mundo será em 2050, ou por aí. De modo geral, podemos distinguir entre duas formas genéricas. Uma é a forma relativamente democrática e igualitária, e a outra é uma forma hierárquica, desigual. Cada uma pode tomar múltiplos formatos.Nos últimos 10 mil anos, com algumas exceções, nós temos tido um sistema hierárquico, com vários formatos diferentes. Pode ser que inventem mais um, novo. Ou pode ser que voltemos a usar um antigo: um sistema neofeudal, ou neofascista, ou neo-imperalista.Nós nunca tivemos um sistema relativamente igualitário. Pode ser que, quando tínhamos unidades sociais pequenas, há 10 mil anos, elas tenham sido relativamente igualitárias. Nós não sabemos, na verdade. Mas o que funcionou para 200 pessoas pode não funcionar para 6 bilhões.Como um sistema relativamente igualitário iria realmente funcionar, que tipos de instituições nós teríamos que desenvolver para resolver os problemas atuais? Eu não sei ao certo. Eu acho que teria que ser relativamente descentralizado e não poderia ser orientado para o lucro.Nós temos alguns tipos de instituições, nos últimos 200 anos, que podemos tentar copiar: se você pensa como uma universidade, ou um hospital funciona. Internamente, elas são semi-autoritárias, mas permitem grande autonomia para seus profissionais. Seu objetivo não é lucrar. A razão pela qual as pessoas trabalham duro nessas instituições não é o dinheiro, mas outras razões: prestígio, pressão social etc. Pode-se tentar estender esse princípio para todos os tipos de atividade produtiva. Eu estou tentando pensar na usina de aço que não visasse lucrar...

Folha - Como ela funcionaria?

Wallerstein - Aí você tem a questão de hierarquia interna. Você tem tido muita pressão, nos últimos cem anos, por democratização interna. Estamos chegando lá, devagarinho. Como é que elas iriam funcionar? Não sei. Teríamos que ir descobrindo pelo caminho. Por isso é que eu não sou um utopista. Acredito em tentativa e erro. Mas rejeito a idéia de que é impossível termos um sistema relativamente não-hierárquico, relativamente democrático, relativamente igualitário _acho que poderia funcionar, e em grande escala. Nesse sentido eu sou otimista: acredito na maleabilidade da natureza humana; na capacidade de construir novas estruturas que realmente funcionem.

Folha - Quais são as suas razões para ser otimista em relação ao futuro?

Wallerstein - É um otimismo irracional."

Entrevista extraida de Folha de Sao Paulo, domingo 17 de octubre de 1999. Autor: Gustavo Opschpe. Origen del texto: Especial para Folha Editoria: MAIS!; pgs. 5-9

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O que dizer após as Manifestacoes ou seja Greve ou ainda Tumultos???????? (1)

Custou-me acreditar que as mensagens que circulavam entre o dia 26 a 29 teriam surtiriam o efeito desejado pelos organizadores do fenomeno que dificilmente conseguirei encontrar um nome especifico para tal.

Mas afinal de contas o que e uma greve?

Numa pesquisa breve que fiz por esta inquietacao descobri um conceito normativo que e apresentado por Bueno e Costanze Advogados. segundo este autor, a greve, ao que tudo indica, já existia na antiguidade, a primeira manifestação assim considerada, surgiu com a revolta dos operários judeus contra autoridades faraônicas. Alguns autores entendem que este movimento não poderia ser considerado greve, visto que sua essência não era de consciência de classe.

Atualmente , após a passagem de muitas décadas, a Constituição Federal de 1988, disciplina o direito de greve reconhecendo o direito, concedendo aos trabalhadores a liberdade de manifestação acerca das oportunidades e interesses, que aspiram.

Em suma, percebe-se que a greve constitui um direito individual de exercício coletivo , que remonta-se da instrumentalidade de "pressão", para autocomposição de litígios, tendo o foco de conseguir vantagens trabalhistas.

Só podem ser titulares do direito de greve aqueles que estão sujeitos a um contrato de trabalho, ademais, é necessário esclarecer, que a greve assim como qualquer outros movimento deve ser respaldado pela organização, devendo ser motivada.

A maior finalidade da greve, é a negociação das condições de trabalho consideradas desinteressantes para os trabalhadores, desta forma, esgotados os diálogos a greve surge como forma de negociação prévia, devendo ser declarada pelo sindicato de classe, que irá notificar os empregadores até 48 horas antes da paralisação. Assim posso concluir que o fenomeno dos dias 1 e 2 de Setembro nao se tratava de greve.

Porque esta situacao continua a inquietar-me, procurarei desvendar este fenomeno apartir do conceito de manifestacoes. Os movimentos populares caracterizados como movimentos reformistas, porque buscam transformações sócio-econômicas. Sinto que estou a aproximar-me do termo que pretendo usar para a reflexao que se pretende fazer.

Para completar a busca de hoje, vou tentar descortinar o que se pode entender por tumultos. Estes nao se distanciam do anterior conceito, pois em linhas gerais sao designado como movimentos desordenados e violentos. Desta forma pode-se descartar a ideia de greve para o fenomeno que se viveu em Maputo nos dias 1 e 2 de Setembro. pode-se concluir que o que aconteceu podemos de chamar de manifestacoes ou tumultos. Continua

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

RD Congo: Confrontos tribais fazem 270 mortos

PELO menos 270 pessoas, das quais 187 civis, foram mortas entre finais de Outubro a meados deste mês na RD Congo, em confrontos tribais no noroeste do país, onde o Exército interveio por várias vezes para acalmar os ânimos, anunciou terça-feira o Governo congolês. Em finais de Outubro, membros da tribo Enyele, incitados pelo “feiticeiro” Ondjani, confrontaram a tribo Monzaya, bem como agentes da Polícia por causa da gestão de uma lagoa natural, rica em peixe, na aldeia de Dongo, a 300 quilómetros a norte de Mbandaka, cidade-sede da província de Equador.
Maputo, Quinta-Feira, 31 de Dezembro de 2009:: Notícias

Duas semanas após o fim da violência, "o balanço dessa aventura macabra foi de mais de 187 civis friamente mortos por um bando em Ondjani", segundo informou o ministro congolês da Comunicação e porta-voz do Governo de Kinshasa, Lambert Mende.

Os insurgentes da tribo Enyele "perderam pelo menos 82 dos seus membros durante o combate" contra um comando de 600 homens das Forças Armadas da RD Congo (FARDC), enviados para reforçar essa região, acrescentou o governante.

Esse comando conseguiu repor a calma e retirar o controlo de Dongo das mãos dos insurgentes a 13 de Dezembro.

Os combates fizeram fugir mais de 150 000 pessoas das suas aldeias, das quais metade se encontra refugiada no Congo-Brazzaville, beneficiando de assistência humanitária, contrariamente aos deslocados internos.

"Os parceiros humanitários da RD Congo são instantaneamente convidados a encorajar e a facilitar o regresso dos nossos concidadãos às suas aldeias e a se abster de os fixar longe deles para que possam beneficiar da ajuda humanitária", declarou o ministro.

VIOLÊNCIA NA NIGÉRIA

Entretanto, a calma regressou terça-feira a Bauchi, cidade a norte da Nigéria, onde as forças da ordem foram desdobradas no dia a seguir à violência levada a cabo segunda-feira por uma seita islamista radical que causou mais de 70 mortos, segundo a AFP.

No bairro de Zango, base da seita Kala-Kato e teatro dos confrontos, os residentes, que foram atacados pelos islamistas, fugiram da área antes de regressarem às ruas para constatar os prejuízos.

Polícias e soldados foram destacados em diferentes pontos da cidade e particularmente ao redor do sítio de onde partiu a confusão, com vista a destruir a direcção de Kala-Kato.

Kala-Kato, igualmente conhecido pelo nome de Maitatsine, é uma seita presente em vários Estados do norte da Nigéria há décadas.

Família moçambicana assassinada na RAS: Vítimas foram enforcadas e há um vizinho entre detidos

Quatro dos cinco moçambicanos membros da mesma família assassinados semana finda na sua residência, na cidade de Joanesburgo, África do Sul, foram enforcados e apenas a quinta vítima é que morreu atingida por balas de uma arma de fogo. A informação foi avançada ao meio da manhã de ontem por fonte familiar após a cerimónia fúnebre realizada no Cemitério de Lhanguene, em Maputo, acrescentando que entre os cinco detidos, em conexão com o crime, consta um jovem de 17 anos.
Maputo, Quinta-Feira, 31 de Dezembro de 2009:: Notícias

A 23 de Dezembro último, uma quadrilha, presumivelmente com a intenção de assaltar, invadiu a residência da moçambicana Ancha Machiana Nangaio, na zona de Rosenberg, em Joanesburgo, e assassinou-a juntamente com os dois filhos menores, Tsa-One Khoza e Karabo Khoza, incluindo o seu cunhado, Danilo Garcia, e o sobrinho, Nadir Khoza. Posteriormente, a quadrilha assassina abandonou a residência carregando alguns bens.

Victor Saíde Machiana, irmão da malograda Ancha, disse ontem ao nosso Jornal que apenas uma das cinco vítimas é que foi morta a tiro, acrescentando que as restantes quatro morreram por enforcamento.

A fonte mostrou-se reservada quanto a pormenores e possíveis móbeis do macabro crime. Porém, disse que a família aventa a hipótese de o assassinato ter algo a ver com actos de xenofobia, que as vezes eclodem na África do Sul.

Segundo Victor Machiana, a Polícia sul-africana já deteve cinco indiciados do crime, sendo um deles morador das proximidades da residência da família assassinada. Outro ponto salientado pelo nosso interlocutor prende-se com o facto de entre os detidos figurar um jovem de 17 anos de idade. A quadrilha foi terça-feira apresentada a um tribunal de Joanesburgo, não havendo ainda detalhes sobre os resultados da acção da justiça sul-africana.

Entretanto, Fernando Fazenda, Alto-Comissário de Moçambique naquele país, contactado na tarde de terça-feira pela nossa Reportagem, disse que até segunda-feira a Polícia reportava ter detido três bandidos envolvidos no assassinato, estando ainda no encalço do cabecilha da “gang”. O diplomata disse ainda que os detalhes do caso estavam em poder da Polícia, acrescentando que as informações iniciais apontavam para um assalto, uma vez que a quadrilha abandonou a residência com alguns bens, parte dos quais recuperados pelas autoridades.

Ao que soubemos da família, a casa na qual as vítimas viviam foi há dois meses assaltada, tendo os bandidos carregado quase todo o mobiliário facilmente transportável. Ancha, a mais velha entre as vítimas, vivia na África do Sul há pouco mais de 20 anos.